As feiras livres, populares e folclóricas, ainda muito procuradas por moradores da cidade, completam seu primeiro centenário.

Os registros históricos da prefeitura já apontavam, em meados do século 17, a existência delas, que vendiam “gêneros de terra, hortaliças e peixes, no Terreiro da Misericórdia”. Nos séculos subsequentes, a variação de produtos cresceu e os mercados absorveram parte dos produtos que eram vendidos nas feiras de antigamente.

A primeira feira livre oficial contou com 26 feirantes e suas barracas foram montadas no Largo General Osório. Em 1914, o prefeito, Washington Luiz de Souza, assinou o decreto que reconhecia oficialmente as feiras na cidade de São Paulo. Hoje, a feira continua tendo clientela fiel. “Gosto da feira para pechinchar e escolher os melhores produtos para levar para minha casa”, diz a simpática dona de casa Regina (não informou sobrenome nem se deixou fotografar, “por segurança”).

É um dos segmentos da economia que geram um número muito expressivo de empregos diretos e indiretos. Não há uma estatística oficial de quantas pessoas empregam, por conta da sazonalidade e a rotatividade dos trabalhadores das barracas. Não é difícil encontrar uma banca de feira onde o dono e a família atendem a clientela.

“Aqui é mais barato, freguesa!”, grita o feirante das batatas, “mulher bonita não paga, mas também não leva!”, solta o grito o vendedor de verduras e “é doce, pode experimentar que a madame vai gostar e levar!”, não deixa por menos o feirante da banca de frutas. Esses bordões são famosos e ninguém sabe dizer quem começou, mas em todas as feiras eles estão presentes.

O florista Henrique, com oito anos de trabalho na Cayowaá, também trabalha em outras feiras da cidade. “Aqui o público é mais tranquilo e tenho clientes que toda a semana levam uma florzinha para embelezar a casa”. Nos dias de comemoração, como Dia das Mães, dos Pais e dos Namorados, a venda é maior, garante ele.

Uma das barracas mais conhecidas da feira da Cayowaá é do Rei das Panelas, do casal Manoel e Shirley Pedroso. Segundo Marcelo, filho do casal que também dá expediente na feira, “são mais de 50 anos de trabalho”. Aqui, o cliente pode consertar a panela de pressão, o fogão, afiar alicates, facas e tesouras ou comprar uma infinidade de produtos para casa, como tampa plástica para garrafa, brinquedo, coador de pano e muito mais. “O bom da feira é que todas as classes sociais se misturam”, teoriza Marcelo. A família e sua oficina também fazem a feira da Vila Madalena, aos sábados.

Cristiano, da BC Frutas, tem poucos meses de feira, “mas a nossa barraca, mais de 20 anos só aqui”, destaca dizendo que a clientela do Sumaré é bem exigente e “quer qualidade, variedade e preço bom. E isso nós temos!”, garante o feirante, e lamenta que anos atrás o pessoal procurava mais a feira para encomendar as frutas para as festas de final de ano. “Agora, tá mais devagar”, diz.

Feira que se preza tem barracas de pastel e de caldo de cana. Seja qual foi a ponta escolhida, no final ou no início, haverá uma ou mais barracas vendendo essas delícias. A dupla calórica atrai verdadeiras multidões. Alexandre Ikehara, sete anos de feira, serve caldo de cana gelado, com ou sem limão ou abacaxi. Para ele, “assim como o pastel, caldo de cana é tradição e parada obrigatória para quem vem à feira”. 

Na esquina da Rua Paracuê, uma das barracas mais concorridas é a do Pastel da Maria. Anos atrás ganhou um prêmio como o melhor pastel da cidade. O atendimento da equipe é uma aula de rapidez e gentileza que deixa qualquer fast-food no chinelo. “Tem que ser rápido para deixar o freguês feliz!”, informa uma das atendentes enquanto entrega o pastel de carne. Pena que as feiras não funcionam às segundas. É o merecido descanso da categoria, freguesa! 

Feiras no Sumaré
Funcionando das 7 às 14h, são três feiras na região do Sumaré. Quarta tem a da Rua Caiowaá, entre as ruas Dr. Paulo Vieira e Paracuê, com 116 barracas; e na Rua Luminárias, com 44 barracas. Domingo é dia de feira na Rua Oscar Freire, altura do 1.850, próximo ao metrô Sumaré, com 80 barracas.

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